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title: Primeiro medicamento à base de cannabis é aprovado no Brasil
description: ...a Anvisa comunicou por meio de publicação no Diário Oficial que havia cedido o primeiro registro de medicamento à base de cannabis no Brasil.
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# [Primeiro medicamento à base de cannabis é aprovado no Brasil](https://linhacanabica.com/blog/lifestyle-ativismo/medicamento-a-base-de-cannabis-e-aprovado-no-brasil)

 Written by [Barbara Arranz](https://linhacanabica.com/blog/author/barbara-arranz) | Aug 3, 2023 10:50:40 PM

Recentemente publiquei um artigo explicando [a importância de diferenciar indústria canábica de indústria farmacêutica](https://linhacanabica.com/blog/beneficios-da-maconha/industria-canabica-industria-farmaceutica/). Hoje nós vamos entrar um pouco mais a fundo nessa problemática, fazendo um recorte que nos ajudará a entender com mais clareza porque eu trago essas questões ao debate.

Algumas semanas atrás, a Anvisa comunicou por meio de publicação no Diário Oficial que havia cedido o primeiro registro de medicamento à base de cannabis no Brasil. Na prática, isso significa que um laboratório farmacêutico conseguiu autorização para produzir e comercializar legalmente um medicamento à base de maconha no território brasileiro. Que medicamento é esse? Qual é o laboratório em questão e porque essas questões não são necessariamente uma boa notícia? Vamos entender.

**O primeiro medicamento legal à base de maconha do Brasil**

No final do ano passado a Anvisa deu um passo histórico ao regularizar a produção de fármacos à base de cannabis no Brasil. Embora isso seja de fato uma boa notícia, nem a indústria canábica e nem a indústria farmacêutica sabiam ao certo como as coisas funcionariam na prática. 

Pois bem, no final de março a mesma Anvisa comunicou publicamente que o laboratório farmacêutico Prati-Donaduzzi, com sede no Paraná, havia obtido autorização para produzir e comercializar o primeiro medicamento nacional à base de cannabis. Trata-se de um fitofármaco líquido, que deve ser ingerido por via oral. Em sua composição há basicamente [canabidiol (CBD)](https://linhacanabica.com/oleo-cbd-full-spectrum) puro, 200 mg/ml. O medicamento é livre de [THC](https://linhacanabica.com/tratamento-com-tetrahidrocanabinol) (substância da maconha que causa efeito psicoativo).

Até aí tudo bem, **um grande passo na luta pela desmistificação do uso da maconha para fins medicinais.** Os problemas começam quando descobrimos o preço do medicamento em questão: R$ 2.143,30, já com desconto. Isso mesmo, um frasco de 30ml do medicamento custará mais de dois salários mínimos! O preço foi consultado na Droga Raia, rede de farmácias que irá comercializar o produto.

**Uma realidade ignorada**

Muitas problemáticas podem ser extraídas a partir do preço do medicamento em questão, mas vamos nos atentar àquela que, para mim, é a questão central desse assunto: quantas famílias de um país como o nosso poderiam pagar mais de R$2.000,00 em um pequeno frasco de 30ml de um medicamento? Se você for parar para pensar que esse medicamento vem da extração de substâncias de uma planta que, não fosse a proibição, poderia ser facilmente produzida em larga escala, a coisa toda fica ainda mais revoltante.

Peço um segunda da atenção de vocês para compartilhar um dado que foi divulgado pelo IBGE essa semana. O instituto traçou um mapa da distribuição de renda no Brasil e apontou que a [média da renda de 50% da população pobre brasileira é de R$ 850 por mês](https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/27594-pnad-continua-2019-rendimento-do-1-que-ganha-mais-equivale-a-33-7-vezes-o-da-metade-da-populacao-que-ganha-menos)! Pois é, menos de um salário mínimo.

Agora você imagine quantas pessoas no meio desses 50% precisam ou têm parentes que precisam de medicamentos à base de cannabis? Para elas, a notícia de que um laboratório nacional começará a produzir um produto à base de maconha que custa R$ 2.143,30 não traz alívio, traz apenas mais preocupação.

Em minha análise sobre a indústria farmacêutica versus indústria canábica eu já alertava sobre o fato de que as motivações que levam esses dois personagens a atuar são completamente opostas. Trazer à discussão o preço desse medicamento ilustra bem o que eu quis dizer.

Nós, os protagonistas da indústria canábica sabemos que nenhum cenário justifica a comercialização de um medicamento à base de maconha a preços exorbitantes. Sabemos ainda que, enquanto a maconha não for realmente levada a sério a ponto de receber incentivos em pesquisa e em produção nacional, não há como esperar um cenário diferente vindo da indústria farmacêutica.

**O paciente como peça central de seu tratamento**

Vamos supor que algumas pessoas tenham condições financeiras para comprar regularmente o produto à base de cannabis aprovado pela Anvisa. Melhor ainda, vamos supor que o governo crie programas que distribuam via SUS esse medicamento a pacientes carentes. Ainda assim temos outra questão muito importante a ser discutida: a concentração de canabidiol presente em tal remédio.

A maconha medicinal pode ser usada para o tratamento de uma série de doenças. Mas, é claro, cada doença tem suas complexidades e níveis. É de se supor, portanto, que um paciente com níveis leves de Autismo não vá precisar da mesma concentração de [canabidiol](https://linhacanabica.com/tratamento-com-canabidiol)em seu tratamento que um paciente com níveis mais elevados do transtorno. Mas como regular essa dosagem se o medicamento disponível é de apenas uma concentração?

Sempre defendi que o uso da maconha medicinal deve ser administrado de forma autônoma pelo paciente ou pelo responsável por ele. Só essas pessoas sabem a quantidade necessária para tratar seus males. Parece óbvio, mas convém lembrar também que estamos falando de uma planta, não de um fármaco químico. Portanto, sempre defenderei que o paciente seja a figura central no uso de [maconha medicinal.](https://linhacanabica.com/servicos/tratamento-cannabis-medicinal)

Discutir tudo isso só me faz lembrar de quando conheci a Apepi (Associação de Apoio à Pesquisa e à Pacientes de Cannabis Medicinal). Na época, recebi o óleo de cannabis e pude ajudar meu filho Raul, portador de [Autismo](https://linhacanabica.com/servicos/tratamento-cannabis-medicinal/autismo-sindrome-de-asperger), a redescobrir o mundo a sua volta e a melhorar sua qualidade de vida de maneira surpreendente. Conheci ainda muitas mães que estavam em situação semelhante e outras que aguardavam pela oportunidade de começar o tratamento.

Elas são apenas um recorte num cenário que agrega milhares e milhares de mães, pais, avôs, avós e outros cuidadores de todo o país que poderiam estar proporcionando uma qualidade vida melhor a seus parentes, mas que tem esse direito cerceado por falta de informação e, principalmente, por dificuldades impostas por questões políticas e, agora, também econômicas.

A minha luta e meu propósito motivador vêm sendo levar informações a essas pessoas e, por meio da [Linha Canábica](https://linhacanabica.com/), oferecer a elas autonomia para usar a maconha medicinal da maneira como se sentirem melhor. Porque pouco adianta regular a produção de medicamentos à base de cannabis se as pessoas que mais precisam desses medicamentos não poderão usufruir deles.

> Este artigo é mais do que uma análise, é um desabafo. Na semana em que comemoramos o dia das mães, quero aproveitar para parabenizar todas as mães desse Brasil, em particular aquelas que lutam pelo direito de oferecer a seus filhos um mundo mais inclusivo e com melhor qualidade de vida. A batalha é constante, mas o propósito que nos move é muito maior: o amor.

Gostou do artigo? Fique de olho no blog da Linha Canábica da Bá! Não esqueça de conhecer a[HempVegan](https://hempvegan.com.br/), [cosméticos naturais e veganos com efeitos terapêuticos](https://hempvegan.com.br/).

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