Barbara Arranz Bárbara Arranz​ é biomédica e atualmente vive em Madri, capital da Espanha. Mulher, mãe e ativista, é fundadora da LinhaCanabica.com, iniciativa com foco em pesquisa e desenvolvimento de produtos veganos com infusão de cannabis. Bárbara começou a pesquisa a cannabis há 11 anos, quando seu filho Raul nasceu e foi diagnosticado com autismo. Um de seus maiores objetivos é desmistificar a maconha e levar à cannabis até a casa das pessoas.

Cannabis e Cefaleia: saiba como a maconha pode ajudar a tratar dores de cabeça

5 minutos de leitura

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Cefaléia é o termo médico usado para designar as “dores de cabeça”. Um dos tipos de doenças mais comuns do mundo, a Cefaleia atinge milhões de pessoas e pode ter diferentes níveis de dor, bem como diferentes causas. Mas sabia que a cannabis pode ajudar quem sofre de Cefaleia? Descubra como!

De acordo com a International Association for the Study of Pain, 50% da população relata queixas relacionadas à Cefaleia ao longo de um ano e mais de 90% diz já ter sofrido da doença alguma vez na vida.

Outro dado interessante mostra que as mulheres sofrem muito mais com a doença do que os homens. A relação da Cefaleia entre os sexos é de 2-3 mulheres para cada homem.

Mas quais os tipos de Cefaleia e como a cannabis pode ajudar pacientes que sofrem dessa doença? Entenda a seguir o que a ciência já sabe sobre o assunto.

Quais os tipos mais comuns de cefaleia?

A medicina divide a Cefaleia em três tipos mais comuns: tensional, migrânea e em salvas. A origem, a intensidade e a duração da dor ajudam a diferenciar esses tipos.

Cefaleia tensional

A cefaleia tensional é caracterizada como uma dor de cabeça não pulsátil. O paciente sente a dor acompanhada de um certo aperto ou pressão, geralmente bilateral, de intensidade

leve a moderada e que não piora com a realização de atividade física.

Esse tipo de dor de cabeça atinge predominantemente as mulheres, especialmente aquelas que estão no grupo entre os 20 e os 50 anos. Há uma tendência de declínio do número de casos após essa faixa etária.

A cefaleia tensional faz com que o paciente sinta que tem um peso sobre sua cabeça , sensação esta que pode se estender a outras partes do corpo. O estresse é apontado como um poderoso fator desencadeante ou agravante desse tipo de cefaleia.

A Cefaleia tensional geralmente é tratada com relaxantes musculares e analgésicos, adquiridos em farmácias sem a necessidade de receita médica. quando os pacientes conseguem relaxar e descansar por um tempo, a cefaleia tensional também tende a cessar. 

Cefaleia migrânea

Conhecida popularmente como enxaqueca, a Cefaleia migrânea tem origem neuromuscular. É responsável pela maioria dos atendimentos no SUS relacionados à queixa de dor de cabeça, justamente porque muitas vezes os analgésicos comuns não aliviam a dor, que costuma ser intensa, pulsante e constante. Outra característica marcante da doença é a dor acentuada em apenas um dos lados da cabeça (dor unilateral).

A enxaqueca se caracteriza por causar crises repetidas de dor de cabeça que podem ocorrer com uma frequência bastante variável e em intensidade moderada ou forte, o que pode levar a limitação temporária da realização de atividades como trabalhar ou estudar.  Também é comum que a enxaqueca leve a quadros de náuseas, vômitos e fotofobia (sensibilidade à luz).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCE), a enxaqueca “tem como mecanismo fisiopatogênico uma dilatação das artérias cranianas, o que justifica a melhora [da dor] com a adoção de procedimentos que diminuem o aporte de sangue para o segmento cefálico, tais como escalda pés, compressão digital da artéria carótida externa ou da temporal superficial, aposição de gelo no local da dor”.

Mulheres também sofrem mais de enxaqueca do que homens. Isso tem explicação hormonal, já que as mulheres passam por muitas mudanças hormonais significativas ao longo da vida.

A neurologista Elza Magalhães explica que “ao longo da vida, as mulheres passam por mudanças significativas que fazem seus hormônios oscilarem, como menstruação, gravidez e menopausa, e que – embora possam acontecer de forma diferente em cada mulher – em geral, essas transformações interferem no limiar de dor e facilitam as crises de dor de cabeça”.

Cefaleia em salvas

Tipo mais raro de dor de cabeça, essa doença tem origem no hipotálamo (parte do cérebro) e pode ser desencadeada por uso de álcool e outras substâncias como nitratos. É mais comum em homens e pode desencadear episódios de dor moderada ou forte, levando a um quadro de impossibilidade momentânea de realização das atividades rotineiras. 

As dores causadas pela Cefaleia em salvas são descritas como punhaladas ou algo semelhante a um choque elétrico. Elas vêm em duração de poucos segundos, mas repetitivas vezes e a curtíssimos intervalos de tempo.

📌 Esses são os principais tipos de dores de cabeça causadas por Cefaleia. Mas há muitas outras possíveis causas para dores de cabeça, geralmente associadas a outros sintomas e outras doenças. Caso a sua dor de cabeça seja intensa, ocorra de um jeito que “vai e volta” e esteja causando incômodo, é fundamental procurar um médico e realizar exames de imagem para determinar com maior precisão a causa da dor, bem como os tratamentos disponíveis.

Para conscientizar as pessoas sobre a Cefaleia, suas causas e tratamentos, há o Dia Nacional de Combate à Cefaleia, em 19 de maio. O estabelecimento da data foi uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCE).

Cannabis e Cefaléia: como a maconha pode ajudar a tratar dores de cabeça?

Estudos sobre a ação da cannabis e seus canabinóides no cérebro não são algo novo. Desde a década de 90, o volume de produção científica sobre os benefícios e possíveis riscos da maconha medicinal no ser humano vêm aumentando consideravelmente.

O marco mais significativo sobre o assunto aconteceu entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, quando cientistas descobriram os receptores CB1 e CB2, localizados no cérebro e em outras partes do corpo. Esses receptores são capazes de reagir positivamente aos canabinóides, principais componentes químicos naturais da maconha. A esse par foi dado o nome de Sistema Endocanabinóide

Cientistas que estudam a maconha medicinal já relataram uma série de descobertas envolvendo propriedades de ação sedativa, antioxidante, ansiolítica, anticonvulsivante, anti-inflamatória e neuroprotetora. A ação da planta diretamente no cérebro ajuda a explicar porque ela é tão eficaz para tratar a dor de cabeça.

Não é à toa que um levantamento realizado em 2016 com usuários de cannabis nos Estados Unidos apontou que 36% deles usavam a planta especialmente para o alívio da dor de cabeça. 

De acordo com um estudo apresentado durante o 3º Congresso Anual da Academia Europeia de Neurologia, a cannabis é altamente eficiente para ajudar a reduzir consideravelmente os episódios de dor de cabeça.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram os resultados de 127 participantes. Eles foram medicados com diferentes doses de um composto de Tetra-hidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), os dois canabinóides mais abundantes da maconha.

No grupo estavam pessoas que sofriam de enxaqueca (Cefaleia migrânea) ou de episódios de Cefaleia em salvas. Os pacientes que receberam 200 mg do composto de cannabis diariamente durante três meses relataram uma redução de 55% dos episódios de Cefaleia.

Os resultados animadores do estudo acima chamaram atenção da revista Forbes, que deu destaque ao estudo

Em outro estudo, dessa vez nos Estados Unidos, os resultados foram igualmente animadores. Intitulado Efeitos de curto e longo prazo da cannabis na dor de cabeça e na enxaqueca, o estudo foi publicado em 2019 no The Journal of Pain e analisou uma série de outras pesquisas sobre o assunto, bem como seus resultados.

Uma das pesquisas apontadas no estudo foi feita com ratos de laboratório. Os resultados apontaram que o THC “inibe a vasodilatação dos vasos sanguíneos durais e diminui a liberação de peptídeo relacionado ao gene da calcitonina dos neurônios trigêmeos, 2 dos muitos mecanismos que contribuem para a enxaqueca”.

Outro estudo citado no relatório foi realizado com 30 pacientes com Cefaleia que usavam medicamentos sintéticos para tratar a dor. Após um período tratando essas pessoas com cannabis, os pesquisadores observaram que a maconha “foi mais eficaz do que o ibuprofeno na redução da intensidade da dor, redução da ingestão de outros analgésicos e aumento da qualidade de vida”.

Embora muito mais estudos precisem ser conduzidos para que a ciência entenda de fato como os canabinóides podem tratar a dor de cabeça, quais deles são mais eficientes e em quais casos eles não seriam recomendados, é animador notar a sequência de resultados positivos relacionados ao tema.

Tratamento com Canabidiol

Você sabia que a cannabis está ligada a um funcionamento imunológico aprimorado, densidade óssea aumentada e comunicação melhorada entre as células nervosas? Ou que a cannabis crua é um anti-inflamatório potente? Simplificando, a cannabis é um super alimento. Como outros vegetais ou verduras com folhas, a cannabis contém vitaminas, minerais e nutrientes de origem natural.

EFEITOS DA CANNABIS PARA A SAÚDE COM SUPORTE EM PESQUISAS DE PACIENTES

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Alguns países já comercializam o óleo de cannabis legalmente. No Brasil, esse processo ainda está sendo discutido, o que leva muitas pessoas a recorrerem à importação ou a ajuda de ONGs e associações.

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Barbara Arranz Bárbara Arranz​ é biomédica e atualmente vive em Madri, capital da Espanha. Mulher, mãe e ativista, é fundadora da LinhaCanabica.com, iniciativa com foco em pesquisa e desenvolvimento de produtos veganos com infusão de cannabis. Bárbara começou a pesquisa a cannabis há 11 anos, quando seu filho Raul nasceu e foi diagnosticado com autismo. Um de seus maiores objetivos é desmistificar a maconha e levar à cannabis até a casa das pessoas.

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