Pedro Costa Pedro Costa é graduando em História na Universidade de São Paulo e professor particular. Após alguns anos acumulando conhecimento sobre a história da medicina e das drogas, atualmente realiza um projeto de divulgação científica nas redes sociais (@historiotropia). Frequenta reuniões do LEHDA-USP (Laboratório de Estudos Históricos das Drogas e da Alimentação) e também é militante pela legalização. Nasceu em Salvador, mas mora em São Paulo.

O que é Cruelty-free?

2 minutos de leitura

Descubra o que significa esse termo e a razão de sua importância para indústria de cosméticos!

Os testes em animais sempre foram motivo de polêmica na comunidade científica. Enquanto uns levantavam os inegáveis avanços obtidos através desses testes, uma parcela grande de pesquisadores enfatizaram a necessidade de torná-los obsoletos no longo prazo. A ideia é substituir o processo por vias alternativas, como culturas celulares e simulações com algoritmos.

Conforme avançam os métodos de testagem e produção, a necessidade do uso de seres vivos passou a diminuir substancialmente. Esse tem sido o desafio da indústria nas últimas décadas: como viabilizar a segurança do produto final sem utilizar testes em animais?

O que significa? “Sem crueldade”

De maneira simples, “cruelty-free” é um termo trazido do inglês que quer dizer “sem crueldade” ou “livre de crueldade”. Usa-se normalmente para falar de produtos desenvolvidos do início ao fim sem testagem em seres vivos.

Isso quer dizer que os testes em animais são cruéis? Alguns sim, outros não. A verdade é que os processos mais tradicionais na indústria farmacêutica, química e alimentícia utilizaram métodos atualmente reprováveis – usando desde pequenos camundongos até coelhos e primatas. A ideia dos testes mais invasivos era analisar o perfil de segurança das mercadorias conforme os padrões de consumo internacionais.

Exemplo: um xampu ou sabonete precisaria ser inofensivo na pele de outro mamífero (como um roedor) antes de ser usado em humanos. O mesmo vale para um remédio de dor de cabeça – tradicionalmente, seu resultado precisa ser comprovado em outros seres vivos antes da administração em pessoas.

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Muitos dos animais usados em testes são de linhagens específicas – feitas especialmente para testes, explicando as diferenças de aparência e comportamento entre um rato comum e um camundongo de laboratório.

Ao passo que a pesquisa científica e o desenvolvimento da indústria caminharam, a necessidade de teste invasivos reduziu muito. Enquanto no início do século XX esses procedimentos eram o padrão da indústria, hoje existe uma grande quantidade de métodos alternativos para chegar ao resultado de segurança.

Independente do nível de agressividade dos testes, uma postura mais ética entrou em cena nas últimas décadas. Em várias indústrias – como a de cosméticos – os testes em animais não são mais obrigatórios.

Pensando no caso brasileiro, recentemente o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou constitucional dispositivos da Lei 7.814/17, aprovada no estado do Rio de Janeiro, que proíbe a utilização de animais para desenvolvimento, experimentos e testes de produtos cosméticos, de higiene pessoal, perfumes e limpeza. A notícia detalhada encontra-se aqui.

No território da União Europeia a proibição de testes veio em 2009, seguida pela restrição à comercialização em 2013.

Vegano é a mesma coisa que Cruelty-free?

Premium Vector | Cruelty free and vegan illustration with character

Não. Apesar de falarem sobre um mesmo assunto, são coisas diferentes. Vegano é qualquer produto que não tenha nenhum ingrediente de origem animal em sua composição. Muitos produtos veganos também se preocupam com a exploração ambiental e buscam matéria-prima responsável. Já Cruelty-free é um produto que não foi testado em animais durante seu desenvolvimento e regularização.

Por que testes assim ainda existem?

Por bastante tempo os testes em animais foram necessários para a avaliação dos produtos, remédios e alimentos. A principal razão era a ausência de métodos eficazes para substituir os procedimentos já estabelecidos de segurança. Ainda assim, muitos ativistas pressionavam para um nível mínimo de respeito com os animais utilizados. Hoje já conhecemos formas alternativas de testagem: desde testes laboratoriais in vitro até simulações computadorizadas.

Outra questão central é o custo. Testes em animais sempre foram mais baratos, apesar de possuírem um gasto com manejo e alimentação. Isso ainda é um problema na maior parte dos países, onde as indústrias de maior capacidade produtiva seguem utilizando testagem animal.

De maneira geral, a tendência é a crescente substituição desses procedimentos – seja através da regulação governamental ou da pesquisa científica com métodos inovadores.

Onde posso encontrar cosméticos Cruelty-free?

Diversas empresas no mercado de cosméticos já se mobilizam para disponibilizar produtos livres de crueldade. Pode-se dizer que os cosméticos Cruelty-free ditam tendências de inovação e segurança na indústria.

Desde que entrou no mercado vegano brasileiro, a Linha Canabica da Bá vem trazendo revolução, seja pelo uso da cannabis na composição dos produtos, seja pela preocupação com todos os detalhes da cadeia produtiva.

Em cerca de dois anos de mercado, a Linha já conta com xampu, condicionador, sabonete, repelente, tônico, hidratante facial, loção pós-barba, fortificante de unha, lubrificante

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Pedro Costa Pedro Costa é graduando em História na Universidade de São Paulo e professor particular. Após alguns anos acumulando conhecimento sobre a história da medicina e das drogas, atualmente realiza um projeto de divulgação científica nas redes sociais (@historiotropia). Frequenta reuniões do LEHDA-USP (Laboratório de Estudos Históricos das Drogas e da Alimentação) e também é militante pela legalização. Nasceu em Salvador, mas mora em São Paulo.

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