Driele Amunã Feminista antiproibicionista, redutora de danos, conselheira estadual de assistência social e pedagoga social de rua. Acredito na educação como uma ferramenta que potencializa vidas e reduz os danos do proibicionismo. Mergulho nas diferentes leituras para produzir políticas de vida.

Setembro amarelo e a desigualdade social no Brasil

3 minutos de leitura

Setembro amarelo: vida e luta como elo. 

Driele Amunã

Construíram uma história toda baseada em ceifar nosso sorriso

Entre as possibilidades da fome e a forma de tentar lidar com isso

Aos 13, procurar um trabalho e deixar os livros de canto

Aos 16, ser vista como mulher adulta, objetificação e o machismo imperando

Aos 18, ser subjugada. Não estudou e quer julgar o esforço do outro? Vai trabalhar que a vida  recompensa o seu esforço

Aos 20, ser tida como louca. Como assim racismo? Isso é falta de esforço! Cala essa boca e vai lavar uma louça 

Aos 30, sem ensino médio. Sem emprego, renda mínima e afeto. 

No bolso não existia grana pra comprar feijão, fuzil ou um teto. 

Sem perspectiva para o tal povo heróico. 

Sem brado retumbante, se faz presente a fome. 

Pátria amada ou pátria falida? O que oferece aos seus filhos nessa vida?

Estratégias de proibição e uma renda  subterrânea chamada de mínima?

Setembro amarelo, o que é isso?

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo. O Setembro Amarelo é dedicado à prevenção e conscientização contra o suicídio. Cerca de 12 mil suicídios são registrados todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo.

Origem do Setembro Amarelo

A origem do Setembro Amarelo e todo esse movimento de conscientização contra suicídio começou com a história de Mike Emme, nos Estados Unidos. O jovem era conhecido por sua personalidade carinhosa e habilidade mecânica, tendo como sua marca um Mustang 68 que ele mesmo restaurou e pintou de amarelo. Porém, em 1994, Mike cometeu suicídio, com apenas 17 anos. Infelizmente nem a família, nem os amigos de Mike, perceberam os sinais de que ele pretendia tirar sua própria vida.No funeral, os amigos montaram uma cesta de cartões e fitas amarelas com a mensagem: “Se precisar, peça ajuda”. A ação ganhou grandes proporções e expandiu-se pelo país.Diversos jovens passaram a utilizar cartões amarelos para pedir ajuda a pessoas próximas. A fita amarela foi escolhida como símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscarem ajuda. Em 2003, a Organização Mundial da Saúde(OMS) instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. O amarelo do Mustang de Mike é a cor escolhida para representar essa campanha.No Brasil a data foi criada em 2015. O projeto é um trabalho conjunto do CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro).

O objetivo é conscientizar sobre a prevenção do suicídio e dar visibilidade à causa. Ao longo dos últimos anos, escolas, universidades, entidades do setor público e privado e a população de forma geral se envolveram neste movimento. Monumentos como o Cristo Redentor (RJ), o Congresso Nacional e o Palácio do Itamaraty (DF), o Estádio Beira Rio (RS) e o Elevador Lacerda (BA), participam da campanha.  

Qual a relação dos temas levantados na poesia com o Setembro Amarelo?

As oportunidades desiguais fazem com que o Brasil seja um país permeado pela desigualdade social. O artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 trata da necessidade de garantir que todas as pessoas tenham os recursos necessários para sua sobrevivência, como emprego ou terra. A ausência de oportunidades abrem caminho para processos de adoecimento mental que podem acarretar no suicídio. Políticas públicas alinhadas com a promoção da cidadania e da redução de danos causados pelas mazelas sociais são necessárias diante do tema em questão. Falar sobre o setembro amarelo é colorir as possibilidades de debate diante do assunto. Acolher significa oportunizar as potências e garantir que todas e todos tenham acesso a redes de atenção psicossocial. A rede de apoio e cuidado configura um braço no processo de acolhimento. Entretanto, uma escuta especializada de um profissional em saúde mental é recomendada diante de uma situação que requer um apoio profissional. 

O CVV é gratuito!

O Centro de Valorização da Vida (CVV) trabalha para oferecer suporte emocional e realizar a prevenção do suicídio. A organização é reconhecida como Utilidade Pública Federal desde a década de 1970. Voluntários ficam à disposição 24 horas para oferecer atendimento pelo telefone 188 ou pelo chat online no site. O atendimento é anônimo e realizado por voluntários que guardam sigilo.

Outra possibilidade são os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nas suas diferentes modalidades são pontos de atenção estratégicos da RAPS: serviços de saúde de caráter aberto e comunitário constituído por equipe multiprofissional e que atua sobre a ótica interdisciplinar e realiza prioritariamente atendimento às pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, em sua área territorial, seja em situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial e são substitutivos ao modelo asilar.

Referências:

Site Oficial do Setembro Amarelo <https://www.setembroamarelo.com/> Acessado em 26/07/2020.

Associação Brasileira de Psiquiatria. Manual de Imprensa. 2016. ABP. Disponível em <https://www.abp.org.br/manual-de-imprensa> Acessado em 26/07/2020.

Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) — Português (Brasil) (www.gov.br)

Driele Amunã Feminista antiproibicionista, redutora de danos, conselheira estadual de assistência social e pedagoga social de rua. Acredito na educação como uma ferramenta que potencializa vidas e reduz os danos do proibicionismo. Mergulho nas diferentes leituras para produzir políticas de vida.

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