Driele Amunã Feminista antiproibicionista, redutora de danos, conselheira estadual de assistência social e pedagoga social de rua. Acredito na educação como uma ferramenta que potencializa vidas e reduz os danos do proibicionismo. Mergulho nas diferentes leituras para produzir políticas de vida.

Conheça a ACOM – Associação Canábica Organizada por Mulheres

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A resistência é palavra feminina

“Cannabis é medicina ancestral. É sagrada, feminina, acolhedora e saúde. É a vida, semente que germina e nasce da Terra. Cannabis é acesso, conexão e luta. É a dualidade entre a força e delicadeza”  define Bárbara Arranz.

A Linha Canábica nasceu em 2019 de uma mulher solo, independente e mãe de um filho com Síndrome de Asperger. A LCB nasceu como um projeto. A fundadora nunca teve a intenção de ter uma empresa. Apenas deu início a um projeto que nem ela sabia que rumo tomaria. 

Tudo começou em 2019 com uma página no Instagram chamada @vocesabia.cannabis, esse Instagram trazia informações sobre tratamento e patologia associados à multiplicidade da cannabis. Isso acendeu uma chama. A mulher que fundou a página no Instagram continuou tratando o seu filho com o óleo de cannabis e espalhando para o mundo a melhora observada a cada dia. Com isso, a procura de outras mães começou a surgir e a aumentar a curiosidade sobre o mercado e sobre o produto. Foi aumentando a vontade de ler essa realidade através de um viés partindo de uma mãe. O sangue empreendedor que essa mãe não sabia que tinha começou a surgir. A vontade não era empreender, a vontade é e sempre foi estar nesse projeto. 

Linha Canábica da Bá

A LCB, segundo a própria fundadora Bárbara Arranz, é um projeto de pesquisa e desenvolvimento, que traz informação sobre tratamento e suas ligações com a cannabis. Bárbara começou a desenvolver os produtos dentro de casa, no quintal do interior. A sua filha tirava a babosa do pé e batia o alecrim no liquidificador, enquanto sua amiga ajudava tirando o extrato da melaleuca. No início tudo acontecia ali, dentro de casa. Com tudo pronto, o destino era chegar nos aniversários de família e distribuir o shampoo, o sabonete e outros produtos repletos de multiplicidade.  De boca em boca, os produtos começaram a tornar-se uma circulação de notícias e foram tomando forma dos resultados de pesquisas e esforços. Não existiu um planejamento de empreendedorismo nem investimento. O único investimento que surgiu foi a vontade de uma mãe que vendia suas roupas, que se esforçou para fazer acontecer. Sozinha não havia a possibilidade de planejar um empreendimento. As notícias foram chegando: uma pessoa que melhorou da alopecia que tanto incomodava. A melhora de uma rosácea, caspas de conhecidos diminuindo, o pêlo de um cachorro que voltou a crescer, etc. E a cada relato, a motivação também crescia. Crescia essa vontade. Depois de um ano de LCB, o companheiro de Bárbara, Gustavo, somou forças para auxiliar nesse processo e hoje está com ela nessa atividade de diária descoberta.

Diante do crescimento da LCB e sobretudo, dos relatos de mães, mulheres e famílias buscando entender como ajudar alguém próximo que sofre de alguma patologia, nasce a necessidade de fazer o afeto circular e fazer com que os braços que acolheram e abraçaram – não apenas as pessoas que trazem relato nesse texto – mas também muitos rostos que possuem suas histórias. É nessa necessidade que nasce a ACOM. A Associação Canábica Organizada por Mulheres. 

Nasce a ACOM

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Associação Canábica Organizada por Mulheres

Associação Canábica Organizada por Mulheres é formada por Barbara Arranz, Gabriela Böhm Milani, Agnes Bravin e Silvana Borges. 4 mulheres. A ACOM chega no intuito de acolher patologias voltadas a maconha medicinal, chega no sentido de atender as mulheres vulneráveis, às mães pretas periféricas e atípicas, apoiar as ações sociais, para ser trânsito entre levar e trazer o conhecimento sobre tratamentos medicinais e fitoterápicos que são tabus até hoje. 

A ACOM chega como resultado da vontade de trazer o acolhimento e empoderamento feminino. Chega com a missão de gerar emprego, cursos, aprendizado sobre a cosmetologia tradicional e o ato de abranger e acolher.
O intuito não é vender produtos à base de maconha medicinal, é trazer questões que nesses momentos são urgentes: os cursos profissionalizantes, as questões de debate que são emergenciais e acima de tudo, a quebra de um mercado patriarcal e machista.

“A ACOM chega com um compromisso sem fins lucrativos. A ideia é auxiliar crianças, adolescentes, adultos e idosos que precisam de um atendimento através da ACOM. A associação vai dar a oportunidade para que as pessoas se tornem associados e a partir disso se torne aquilo que quiserem: sejam associados ou fada madrinhas, seja um apoiador(a) de causas sociais. A ACOM será um instrumento para potencializar desejos. A ACOM nasce para atender requisitos e pedidos das normas brasileiras. Nem por isso nasceu sem propósito e sem cultura. Nasce para gerar emprego, vontades e oportunidades.” Explica Bárbara Arranz. 

Utilizamos da tecnologia para que os associados busquem ter mais participação, permitimos o acesso ao extrato bancário da associação em tempo real, pautas dos temas debatidos em assembleia, análise dos produtos através dos seus qrcodes e seu histórico de paciente na palma da mão, sendo possível disponibilizar parte dessa informação de tratamento para o profissional da saúde que está acompanhando sua evolução – sempre obedecendo as práticas da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados do Brasil).

Como plano futuro, pretende-se ter seu auto cultivo constituído na cidade natal da Bárbara, onde escolas dos ensino fundamental, médio e superior poderão ter aulas de Biologia, História e multiculturalismo para os alunos.
A ACOM chega com essa naturalidade e sutileza para levar conteúdo e acolher a vontade de ajudar e a necessidade de ter acesso a informações. 

Com a força de outras mulheres surge a vontade de fazer da voz, um coro. A ACOM nasceu para apoiar e acolher outras empreendedoras que não sabem como dar o primeiro passo diante da vontade de empreender, a resposta para perguntas sobre como começar o mercado da maconha. Pretende-se formar uma equipe educacional a fim de auxiliar o compartilhamento de aprendizagens e ideias, aproximando todes sobre temas como tratamentos à base de maconha. Pretende-se fornecer para instituições federais embasamento para seus estudos, a ideia é partilhar os saberes. O direcionamento não tem nenhum fim lucrativo e conta com suporte jurídico. 

A ACOM está para acolher todos os profissionais: advogado, nutricionista, farmacêutico, veterinário, nutróloga, acupunturista, médico, psicólogo, odontólogo etc. Uma equipe multidisciplinar disposta a fazer da coletividade um ponto de partida. 

Quer fazer parte da ACOM? Faça seu cadastro aqui.

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Um relato especial 

“A cannabis é a própria vida”

Ernandes (32 anos), é casado com João Carlos (35 anos). Eles estão casados há 7 anos e moram em Uberaba, Minas Gerais. Ernandes e João são pais adotivos dos gêmeos de 04 anos Ismael e Ezequiel. Para Ernandes, acolher significa dar as mãos a desconhecidos pelo simples prazer de ajudar. E foi assim que a cannabis chegou na vida dessa família, com a perspectiva do acolhimento. Eles conheceram os produtos à base de CBD através de um primo. Ernandes conta que um dos seus filhos tem epilepsia e que já tinha lido sobre o óleo de cannabis e ficou naquela busca do desconhecido, sem nenhuma informação sobre o assunto. Foi nessa busca que conheceu os produtos à base de CBD, através do Instagram. Hoje Ernandes define a Cannabis como a própria vida. Sua resposta é justificada pela comparação que faz sobre o estado do filho “A vida do Ismael pode se dividir em duas etapas: ele existia antes da cannabis e passou a viver depois. Hoje o Ismael está em constante evolução motora, psíquica, clínica e emocional” 

“Quando nos conhecemos tanto eu quanto o João tínhamos a vontade de ser pais, então partimos para a adoção! Não optamos por idade nem perfis pré determinados, o sistema exige que seja definido alguma coisa. E foi quando definimos que nosso perfil seria grupo de irmãos até 2 até 10 anos de idade, independente de sexo , cor, doenças e deficiência. 1 ano e meio depois da habilitação fomos consultados. A gente já tinha definido que não queríamos ter essa escolha, entendemos que não estávamos escolhendo um produto no supermercado e sim, deixar que fosse encaminhado o que era para a gente. Fomos consultados sobre dois irmãos gêmeos de 10 meses onde um estava no abrigo e o outro estava no hospital entubado sem perspectiva de vida. Em casa mesmo decidimos que eram os nossos filhos. Dezessete casais disseram não para o Ismael e o Ezequiel. Cada negativa encaminhou as crianças até o nosso encontro. 

Nós conhecemos os produtos com cannabis em abril de 2020 e a Bárbara perguntou se iríamos iniciar o tratamento. Estávamos em um momento muito delicado financeiramente e não tínhamos como iniciar e então avisamos que iríamos nos programar para iniciar o tratamento em dezembro. Recebemos a resposta da Bárbara dizendo que iriamos começar naquele momento, acertamos os detalhes e o óleo foi enviado. Para além do óleo que é utilizado para epilepsia, o Ismael utiliza a Pomada Sana Sana para assaduras e dermatites. O Creme do Hulk para deixar as perninhas alongadas e o protetor labial para manter os lábios bem hidratados. A Bárbara estava ciente que tínhamos a programação para iniciar o nosso pagamento em dezembro tendo em vista que estávamos pagando as prestações da cadeira de rodas do Ismael e mesmo assim, ela nunca permitiu o envio do valor e nem sequer, do frete. Assim vem sendo até hoje. Mudou a nossa vida enquanto pais e no bem-estar do nosso filho e consequentemente, de toda a família. O irmão dele, o Ezequiel recentemente foi diagnosticado com autismo, estamos recebendo o óleo para ele também, ele está conseguindo ficar mais calmo, mais concentrado. A qualidade de sono melhorou muito. O abraço do acolhimento a cada dia que passa está sendo mais estendido. Contamos também com as campanhas de ajuda e os extras das vaquinhas. Contamos com a ajuda para completar o valor para ajudar na compra da cadeira. Recebemos valores mensais não só para a compra de brinquedos, mas também para a compra de alimentos.

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Nesse sentido de acolher nasce a necessidade de fazer com que os braços cresçam. Os braços da Bárbara Arranz que acolheram a família do Ernandes sentem a necessidade de estender as mangas para fazer da coletividade um ponto de partida. Nasce a Associação Canábica Organizada por Mulheres.

Trouxe a vida não somente pra Ismael mas pra todos nós, depois do óleo ele nunca mais passou por internações hospitalares. Quando o adotamos ele só mexia os olhos e tinha um diagnóstico de quadriplegia, desnutrição severa e não tinha perspectivas de vida. A cannabis trouxe alegria para a vida do meu filho. Ele não chorava, não sorria…não tinha expressão nenhuma. Se estivesse em um local e acendesse e desligasse a luz ele não tinha nenhuma reação, sem falar nas questões motoras e depois do óleo ele transformou. Além da questão anticonvulsionante trouxe para ele a oportunidade de interagir. Ele passou a ter expressão de sorrisos, a vontade de fazer carinho, a expressão do choro. Hoje ele consegue escolher um desenho, consegue da forma dele dizer não, consegue trazer a vontade dele nas interações.”

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FamíliaErnandes e João

Agnes Bravin, uma das mulheres que fazem a ACOM

“A ACOM vem como um feixe de luz em meio a tanto proibicionismo”

“Meu nome é Agnes Mizoguchi Bravin. Faço parte do corpo diretivo da ACOM como umas das diretoras executivas, ou seja, em conjunto com o corpo diretivo realizo a gestão e execução assegurando que a associação esteja cumprindo seu Estatuto e Regimento Interno. Estou na parte executiva de algumas atividades como organização, controle de qualidade, pesquisas e desenvolvimento dos produtos terapêuticos a base de cannabis e no administrativo geral. Sou formada em química com atribuições tecnológicas, minha vida profissional sempre trabalhei na área processos de garantia de qualidade. Atualmente estou em formação no curso Masters of Cannabis na Cannabis Training University para me especializar e aprofundar ainda mais minhas raízes no mundo da planta sagrada.

A missão

Creio que é a inclusão social e o respeito aos direitos dos pacientes que fazem uso de cannabis medicinal. Isso tudo promovido por mulheres, para fins de cultivo, acesso à saúde e claro promover a questão da pesquisa e acesso à informação.

Falar de cannabis no Brasil, qual a importância?

De acordo com o que vivemos aqui no Brasil a ACOM vem como um feixe de luz em meio a tanto proibicionismo. Acho que será de grande importância na luta por causas tão nobres e necessárias, lutas que não deveriam estar acontecendo… entende? Acesso à informação, saúde, educação seria o mínimo e de direito de todes, mas sabemos que isso não rola. Além de existir muito “salvador da pátria e dos bons costumes” por aí que não toma nenhuma iniciativa prática, ou pior, que toma essa “iniciativa prática”  para ajudar as pessoas, mas que pratica machismo velado  e cala mulheres deslegitimando sua luta. Aqui para nós cada luta é legítima sim e queremos e vamos ser resistência, luz, amor e acolhimento para quem precisar.

Na minha cabeça tem 2 tipos de acolhimento, o literal e o humanizado. O acolhimento literal é aquele que estudamos nos livros, ou lemos por aí, que é nada menos que acolher outro indivíduo de acordo com princípios éticos e etc… O humano, é isso tudo + um pouquinho… sempre faço o gesto com os braços para explicar, sabe? Abraçando, por exemplo. Acolher pra mim é receber, olhar, escutar com respeito a pessoa em que se está acolhendo, praticar empatia mesmo.  Fazer com que a pessoa se sinta acolhida de fato, ouvida e que ali ela comece a entender que tem uma mão amiga segurando a dela.”

Relatos de vidas que foram transformadas 

ACOM é vida, é amor, é garra, é dedicação, é a cura através da ciência, é ACREDITAR”

“Me chamo Gabriela Böhm Milani, estou mulher, canceriana, 30 anos, graduada em química tecnológica pela UFSC, servidora pública na UFRGS, no Laboratório de Águas Superficiais e Subterrâneas do Ceclimar, onde realizo desde 2015 pesquisa em qualidade das águas das lagoas costeiras do Litoral Norte do RS. Por motivos de uma perda próxima durante a graduação, comecei a refletir e me questionar muito sobre o uso de remédios e a medicina convencional, e optei por parar de tomar medicamentos e buscar alternativas para curas mais naturais. Foi através das águas que comecei a me conectar mais com a natureza e perceber aos poucos a grandeza e força curadora que nela habita, e o quão doente estamos enraizados nesse sistema, que nos desconecta de nós mesmos.

Em 2019 foi a primeira vez que tive contato com óleo de canabidiol, sem saber o que era, mas me foi dado falando que me ajudaria na ansiedade da minha dog, a Gaya. Logo de início já vi muitos resultados, porém sabia que o acesso a essa medicina não era muito fácil. No início da pandemia, em março de 2020, dentre uns insights que tive, surgiu, em conversa com mais 3 amigas, o coletivo Flores de Ananta, com o intuito de trabalhar entre mulheres, resgatando a ancestralidade e trazendo a cura através da mata, trabalhando através da energia e magia das plantas. Na época da Graduação já me questionava muito sobre o potencial terapêutico que a Cannabis tinha e o preconceito e interesse que existia. Sempre fui meio medrosa sobre me expor e defender a planta, mas quando sabemos um pouco sobre os benefícios que ela carrega, vamos criando força e coragem para defender, e foi muito isso que senti desde o primeiro momento que conversei com a Bárbara Arranz: força e coragem! Mulher Guerreira! Me identifiquei muito desde sempre, um reencontro lindo.

Em agosto de 2020, descobri uma alteração na tireoide, e fui a alguns médicos que confirmaram que não teria nada natural que pudesse suprir a falta de hormônios que meu sistema estava passando. Já estava chateada, logo nesse momento que estava buscando em tudo alternativas naturais, já vinha estudando a cannabis medicinal e me senti impotente ao perceber que ela talvez não pudesse me auxiliar. Tive um insight: se ingerir hormônios,  ficar repondo, meu sistema vai equilibrar, sei que o óleo não vai repor hormônios, mas, nessa situação que estou passando a resolução não seria repor hormônios e de certa forma não estimular mais meu sistema a produzir, eu deveria procurar algo que estimula a produção novamente, foi quando me deu um estalo, talvez nisso o óleo poderia me ajudar, já que o nosso sistema endocanabinóide é responsável por buscar o equilíbrio do corpo, a homeostase. Vou chamar a Bárbara, pensei.  Tive um pingo de esperança ainda. Mandei um áudio bem pessoal para ela, e foi conexão pura. Ela também já havia passado por alguns processos com a tireóide, e disse que testaria o mesmo óleo que usou quando precisou. E que iríamos testar.

Recebi o óleo da linha, e 3 meses depois de começar a tomar, realizei novamente os exames, e havia estabilizado. Foi muito especial. Gratidão imensa! Acredito muito nessa planta, para mim já chegou de forma medicinal, mas não só por ter me beneficiado com ela que defendo e luto, mas sim por ver todas as pessoas que já conectei e apresentei a linha, e alguns dos feedbacks inclusive falando que tinha sido um anjo na vida, que tinha trazido novamente a esperança de viver uma vida mais digna depois que iniciou o tratamento. O medo existe? Claro, mas a cada feedback de paciente, o coração transborda amor e esperança. Essa medicina precisa chegar a todos, são inúmeros os benefícios, e todos merecemos viver com qualidade. 

Quando recebi o convite para fazer parte da Associação, foi emoção pura, felicidade enorme ao saber que poderia, de certa forma, continuar ajudando inúmeras pessoas Brasil afora. Recentemente tinha iniciado o curso de Cannabis Medicinal do Padre Ticão, e foi uma resposta que o universo mandou dizendo que quando se acredita em algo, se faz com amor e dedicação, se olha para um todo, as coisas acontecem e fluem lindamente! Basta ter CORAGEM! Admiro muito a Dra. Barbara Arranz e honro toda a caminhada dela até aqui, mulher guerreira, que não mede esforços para ajudar a quem puder.ACOM é vida, é amor, é garra, é dedicação, é a cura através da ciência, é ACREDITAR. É honrar Pachamama, trazer a cura através da floresta! Que possamos expandir os conhecimentos e compartilhar com sabedoria! Agradeço por poder fazer parte, e que a cada passo dado a gente possa espalhar cura e mais amor por aí”

“A cannabis na minha vida enquanto mãe solo representa amor e cura”

“Meu nome é Denise Nasci em Florianópolis. 4 dos meus 5 filhos nasceram lá também. A maior parte da minha família é mineira. Moro atualmente no RS. Estou em mudança da cidade. Saindo da casa do meu ex companheiro e indo para a área rural de outra cidade mais próxima da capital, onde estarei mais perto de amigas e comadres. Engravidei pela primeira vez com 15 anos. Ocasião na qual tive que sair da casa dos meus pais para poder ter a criança: Gabriel, hoje com quase 24 anos. Mestrando em Administração pela Esag de Floripa, apesar dos obstáculos, pois sofre de TOC. Gabriel mora com minha mãe desde os 6 anos, época que fui para Porto Alegre. Quando ele tinha 15 anos, eu já estava em outro relacionamento e tive meu segundo filho: o  Rayar, que faz 10 anos em outubro, meu companheirão. Só dou conta de tudo hoje por causa dele. Estava ainda amamentando o Rayar, ele tinha dois anos, quando engravidei do mesmo pai, e tive os gêmeos Kiran e Ankar, que completam seu primeiro setênio agora dia 5 de Setembro. Aos 4 anos foram diagnosticados no espectro do autismo, grau moderado. Foi exatamente quando tive forças e coragem para me separar pela primeira vez e me libertar da relação extremamente tóxica e abusiva que me encontrava. Corria atrás da dissolução da união estável e ganhei a guarda integral dos 3. Estava com mudança programada para o sul de minas, quando o pai deles iniciou uma reaproximação. Se fez de arrependido, me seduziu, e tive uma “recaída”. Tivemos duas relações, e foi o bastante para eu engravidar novamente. Decidi reatar e tentar uma última vez. No dia 28.7.2018 nasceu a Esperança. Mas o relacionamento com o pai não vingou. Em novembro do ano passado pedi para ele sair de casa e a dissolução se cumpriu. Dia primeiro de setembro me mudarei para a nova casa com as crianças.”

Entre as possibilidades de cuidado e as dificuldades: o acolhimento como ruptura da dor.

“Todo o suporte e acompanhamento que tenho recebido veio da Bárbara Arranz, conheci ela pesquisando sobre as possibilidades de óleo de canabidiol, para os gêmeos acabei conseguindo o contato direto e estreitamos os laços. Criamos uma amizade. Essa amizade representa muita força pra mim, a Bárbara me ajudou e ajuda muito. Estou com um processo para que a União forneça esse custeio dos óleos de cannabis para os gêmeos, mas está bem difícil, bem complicado, sobretudo nesses últimos tempos que a cannabis medicinal tem sofrido tantos ataques desse desgoverno e então a Bárbara nos fornece o óleo gratuitamente desde o início de tudo, já faz um ano. Sinto-me muito amparada pois a Bárbara acompanha os gêmeos para chegarmos em uma adequação ideal, recebemos um aporte financeiro para pagar as contas, comprar alguma outra medicação para os gêmeos. Na mudança agora foi ela quem arcou com a despesa do frete. Foi ela quem forneceu durante um tempo o óleo de cbd para o meu pai que sofre de hérnia de disco. Para a minha madrinha que sofre de artrite. Diversas vezes me abri com ela e recebi o acolhimento. A minha família é constituída por mim e pelos meus filhos, trazer esse relato é poder colocar para o mundo a força que recebi e que vejo à vontade de sempre ajudar o próximo com muito amor, empatia, solidariedade. Vejo uma mulher com múltiplas responsabilidades e ainda sim, colocando-se para ajudar o próximo. Me sinto feliz em falar sobre ela, sobre essa vontade que nasce com ela. 

Meus filhos estão mais calmos, concentrados e alegres. Dormem muito melhor, mesmo ainda sendo averbais se comunicam com maior frequência e prestam atenção quando falamos com eles. Percebo também o intestino deles mais regulado. Como mãe solo e mulher que não possui muita proximidade com a minha família o acolhimento é fundamental.”

“A ACOM chega pra mim como uma oportunidade de colocar em prática tudo aquilo que desejava  no meu coração e não tinha como fazer sozinha.”

“Meu nome é Silvana, sou mãe de um rapaz de 30 anos, autista severo, com grave comprometimento cognitivo e muitas comorbidades entre elas a epilepsia. Entrei no universo da Cannabis quando buscava alternativas para ajudar meu filho que usava vários medicamentos sem sucesso algum. Começamos importando o Canabidiol, nos sacrificando muito para manter o tratamento já que àquela época eu não tinha conhecimento a respeito de óleos artesanais nacionais assim como não conhecia profissionais habilitados para fazê-lo. Comecei então a estudar e pesquisar sobre cannabis e me encantei com as possibilidades que se abriam para nós. A mudança do óleo importado para o artesanal foi decisiva nas transformações que ocorreram: meu filho voltou a sorrir, a insônia foi vencida , as crises de agressividade e convulsões foram controladas. As 27 doses de psicotrópicos e anticonvulsivantes foram sendo reduzidas até restarem apenas um. Essas transformações também ocorreram em mim, me tornei uma ativista. Me senti no dever de devolver ao Universo todas as bênçãos que recebemos dessa planta sagrada.

Hoje digo que meu filho é o “meu milagre” e meu maior desejo é que todas as pessoas possam conhecer e se beneficiar da Cannabis.

Conheci a LCB e de cara me identifiquei com a filosofia da marca e com a Barbara foi uma sinergia especial já que somos mães atípicas. Nos aproximamos mais quando, a convite dela, passei a ser moderadora de um grupo de pais/responsáveis por pessoas autistas que fazem uso do óleo de Cannabis. Dessa aproximação e veio também o convite para participar da ACOM e com muita honra, hoje, sou uma das mulheres desse projeto maravilhoso.

O que espero da ACOM?

Vejo a ACOM como uma entidade que fará um trabalho responsável, transparente, que vai acolher pacientes que necessitam da Cannabis independentemente da sua condição sócio econômica e que poderão ser atendidos pelos nossos projetos sociais. A idéia é acolher o paciente, facilitar o acesso ao tratamento.

A ACOM veio pra mim como uma oportunidade de colocar em prática tudo aquilo que eu desejava no meu coração e não tinha como fazer sozinha. Muitas vezes me vi impotente diante de pessoas que me procuravam inspiradas pela história do meu Vitor com a cannabis e me sentia frustrada em não poder ajudá-las.

Com a ACOM vejo a possibilidade de um trabalho sério, dedicado . Vejo nas pessoas envolvidas comprometimento com a dor do outro, empatia e isso, sim, é o verdadeiro acolhimento.”


Driele Amunã Feminista antiproibicionista, redutora de danos, conselheira estadual de assistência social e pedagoga social de rua. Acredito na educação como uma ferramenta que potencializa vidas e reduz os danos do proibicionismo. Mergulho nas diferentes leituras para produzir políticas de vida.

Uma comentário para “Conheça a ACOM – Associação Canábica Organizada por Mulheres”

  1. Obrigada por essa luta! Da pra sentir o amor de vocês em tudo o que fazem! Sigam firme espalhando a semente, o conhecimento liberta. Estamos juntas!

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