Pedro Costa Pedro Costa é graduando em História na Universidade de São Paulo e professor particular. Após alguns anos acumulando conhecimento sobre a história da medicina e das drogas, atualmente realiza um projeto de divulgação científica nas redes sociais (@historiotropia). Frequenta reuniões do LEHDA-USP (Laboratório de Estudos Históricos das Drogas e da Alimentação) e também é militante pela legalização. Nasceu em Salvador, mas mora em São Paulo.

Maconha nas Olimpíadas

3 minutos de leitura

Atletas olímpicos podem usar maconha?

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Descubra quais são as regras sobre o uso de maconha por atletas que disputam as Olimpíadas e entenda o que o código da Agência Mundial Antidoping diz sobre o assunto!

As Olimpíadas de Tóquio são a primeira edição dos jogos desde que a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) retirou a cannabis da lista de drogas. A mudança ocorreu no final de 2020 e já está em vigor. Mas isso possibilita que os atletas possam consumir maconha?

À rigor a resposta é não, pelo menos não no período de preparação para os jogos e durante a disputa das modalidades em si. A retirada da maconha da lista de drogas da Wada não livrou os atletas de terem que cumprir punição caso o exame antidoping acuse presença de canabinóides no resultado. 

A diferença é que agora a punição é muito mais branda: vai de um a três meses. Para se ter uma ideia, antes, a suspensão em caso de uso de drogas recreativas (incluindo a maconha) variava de dois a quatro anos sem poder competir.

O que acontece se um atleta usar maconha durante os jogos? Todos os canabinóides são proibidos ou há exceções? Descubra as respostas para essas perguntas a seguir!

O que acontece se um atleta fumar maconha durante os Jogos Olímpicos?

sha'carri richardson suspended
A atleta norte-americana Sha’Carri foi desclassificada de uma das modalidades de atletismo por apresentar THC nos testes toxicológicos.

Se um atleta olímpico fumar maconha (ou consumir qualquer outra substância recreativa) durante os Jogos Olímpicos, isso será mostrado nos resultados dos testes (que são realizados antes, durante e após as competições) e ele será desclassificado e impedido de seguir nas Olimpíadas.

A maconha (e seus canabinóides) possuem propriedades relaxantes e também estimulantes, que mexem com o organismo e ativam receptores cerebrais – o que pode alterar o desempenho do atleta na disputa dos jogos olímpicos. Por isso o uso da cannabis (e seus derivados) configura doping.

Portanto, um atleta não deve, de maneira alguma, fumar maconha durante os Jogos Olímpicos e nem nos meses que antecedem a competição.

O código da Agência Mundial Antidoping (WADA) é bastante claro:

“Todos os canabinóides naturais e sintéticos são proibidos, exceto o canabidiol (CBD). Produtos, incluindo alimentos e bebidas, contendo canabinóides, também são proibidos. Todos os canabinóides sintéticos que imitam os efeitos do THC são proibidos”.

Aliás, os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio estão bastante rigorosos quando o assunto é fumar, inclusive o tradicional cigarro. Diferentemente das Olimpíadas do Rio, em Tóquio os atletas não podem sequer fumar cigarros durante o período dos jogos. O consumo dessas substâncias, mesmo que de tabaco, está proibido na vila olímpica.  

“Com base no desenvolvimento da lei, de regulamentações e da orientação do COI, a Tóquio-2020 decidiu adotar uma política rígida contra o tabagismo para proteger a saúde e a segurança dos atletas, espectadores e autoridades”, diz o texto divulgado pelo Comitê Olímpico Tóquio 2020.

O uso do canabidiol (CBD) por atletas profissionais

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O canabidiol (conhecido como CBD) é um dos canabinóides mais abundantes e populares da maconha. Rica em propriedades medicinais, essa substância não possui efeitos psicoativos e nem serve para aumentar o desempenho dos atletas.

Por tudo isso, a Agência Mundial Antidoping decidiu que o canabidiol isolado não é considerado uma droga e não deve gerar punições aos atletas. A medida visa beneficiar os atletas que fazem uso de medicamentos à base do canabinóide CBD para tratar lesões e dores. Sem dúvidas, é uma vitória a ser comemorada.

“CBD não é proibido. No entanto, os atletas devem estar cientes de que alguns óleos e tinturas de CBD extraídos de plantas de cannabis também podem conter THC e outros canabinóides que podem resultar em um teste positivo para um canabinoide proibido”, alerta o código da Wada.

Por isso, tanto os atletas olímpicos quanto os profissionais esportivos que competem em jogos oficiais devem ter muita atenção quanto aos medicamentos à base de CBD que consomem.

É de suma importância que ele saibam a procedência da substância para garantir que não estão ingerindo outros canabinóides sem querer – o que seria acusado no exame e acarretaria em desclassificação.

Considerando que os jogos olímpicos são um momento para que os melhores atletas do mundo mostrem sua capacidade natural, é compreensível que a Wada seja rigorosa quanto ao uso de cannabis. Sabemos que a planta é complexa e, embora seja cada vez mais usada para tratar diversas doenças, também reage a receptores cerebrais e pode gerar estímulos nos atletas que não permitirão que eles compitam em pé de igualdade.

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Pedro Costa Pedro Costa é graduando em História na Universidade de São Paulo e professor particular. Após alguns anos acumulando conhecimento sobre a história da medicina e das drogas, atualmente realiza um projeto de divulgação científica nas redes sociais (@historiotropia). Frequenta reuniões do LEHDA-USP (Laboratório de Estudos Históricos das Drogas e da Alimentação) e também é militante pela legalização. Nasceu em Salvador, mas mora em São Paulo.

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