Barbara Arranz Bárbara Arranz​ é biomédica e atualmente vive em Madri, capital da Espanha. Mulher, mãe e ativista, é fundadora da LinhaCanabica.com, iniciativa com foco em pesquisa e desenvolvimento de produtos veganos com infusão de cannabis. Bárbara começou a pesquisa a cannabis há 11 anos, quando seu filho Raul nasceu e foi diagnosticado com autismo. Um de seus maiores objetivos é desmistificar a maconha e levar à cannabis até a casa das pessoas.

Canabinóides no tratamento da endometriose: estudo aponta benefícios da planta para pacientes com a doença

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Descubra o que diz um estudo recente sobre o uso de canabinóides da maconha no tratamento de mulheres que sofrem de endometriose. Como a planta pode ajudar? Entenda no artigo a seguir!

De acordo com a OMS, mais de 176 milhões de mulheres ao redor do mundo sofrem com endometriose. Essa doença é considerada a maior causa de infertilidade feminina, levando de 30 a 50% das pacientes a esse estado.

No Brasil, a endometriose afeta cerca de 10% da população feminina adulta do país, dado da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com a OMS, mais de 7 milhões de brasileiras sofrem da doença. Somente em 2019, o governo registrou 11.790 internações por causa da doença.

O maior desafio para a diminuição de casos graves de endometriose é o diagnóstico. O quadro da doença costuma ser silencioso no começo e os sintomas são facilmente confundidos com os de outras paternidades ginecológicas. 

Não há consenso sobre as causas da doença, mas os médicos trabalham com múltiplas possibilidades. 51% dos casos são atribuídos a fatores genéticos. O ritmo de vida atual, gravidez tardia e estresse também são apontados como fatores de risco.

A seguir, você vai entender o que é a endometriose, quais são os tratamentos disponíveis e como cientistas estão estudando o uso de canabinóides da maconha no tratamento de mulheres que sofrem da doença.

O que é a endometriose e o que causa essa doença?

Endometriose é uma doença causada pela infecção ou lesão decorrente do acúmulo das células que recobrem a parte interna do útero (o endométrio) em outras partes fora da cavidade uterina.

Tais células geralmente são eliminadas junto com a menstruação. O problema é que em algumas mulheres essas células acabam se acumulando em outras partes do corpo, principalmente em regiões como bexiga, ovários, tubas uterinas e intestino, fazendo crescer tecidos.

Essa desregulação causa a endometriose e leva a fortes dores na mulher. Em casos mais graves, pode formar nódulos e afetar o funcionamento dos órgãos atingidos.

Casos mais complexos podem levar a mulher a precisar realizar cirurgia para retirada dos nódulos e, muitas vezes, retirada do útero e outros órgãos do aparelho reprodutor feminino. 

De acordo com Helizabet Salomão Ayrosa Ribeiro, vice-presidente da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE), a demora no diagnóstico é o principal fator que leva a doença a avançar para um quadro grave e que requer cirurgias mais radicais.

“No mundo todo, a endometriose demora, em média, de sete a dez anos para ser diagnosticada. Principalmente devido à tendência das pessoas naturalizarem a cólica menstrual, o principal sintoma e a principal queixa das pacientes”, explicou em entrevista à Agência Brasil.

Cólicas fortes e frequentes, dor na parte inferior das costas e do abdômen, dor no reto, na vagina ou na pélvis, desconforto e dor durante a relação sexual e menstruação irregular são os principais sintomas da endometriose.

Muitas mulheres associam esses sintomas a condições normais do período menstrual, mas nem sempre é assim. É importante visitar o ginecologista frequentemente e relatar tudo o que está se passando

Para diagnosticar a doença, o médico ginecologista pode pedir um ultrassom endovaginal especializado, um exame ginecológico e exames de laboratório como a dosagem de marcadores.

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Como é o tratamento da endometriose?

O tratamento da endometriose vai depender do estágio da doença. Geralmente o médico começa receitando um anticoncepcional para a mulher, pois é necessário interromper o ciclo menstrual. O uso desses medicamentos deverá ser feito de modo contínuo.

Outras ações podem envolver o uso de progestagênios isolados, hormônios injetáveis ou implantação de um DIU.

Tais medidas tendem a estacionar o quadro de endometriose, mas não removem os tecidos já criados. Se for necessário removê-los e tratar as lesões de maneira mais intensiva, uma alternativa é a realização de uma laparoscopia, pequena cirurgia minimamente invasiva.

A laparoscopia consiste na realização de pequenas incisões na região abdominal para introdução do laparoscópio, um equipamento com micro câmera integrada que permite a visualização direta da cavidade peritoneal. Também podem ser introduzidos outros instrumentos cirúrgicos, como pinças, tesouras ou grampeadores, que permitem a manipulação da região afetada.

Cirurgias maiores de retirada de nódulos e remoção de órgãos do aparelho feminino só são indicadas em casos graves onde não há mais como tratar a doença de outra maneira. 

Estudo indica que cannabis pode ser usada no tratamento da endometriose

De acordo com o artigo Efeitos modificadores do THC natural na dor associada à endometriose, publicado recentemente pelo Laboratório de Neurofarmacologia da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, a cannabis (especialmente o canabinóide THC) foi apontada como eficaz tanto na diminuição das dores causadas pela endometriose (que podem ser severas) quanto no controle do desenvolvimento de cistos endometriais.

O estudo foi feito com camundongos. De acordo com os cientistas que estão a frente da pesquisa, o que explica a possível eficácia dos canabinóides no tratamento da endometriose é que a região pélvica feminina possui muitos receptores sensíveis aos canabinóides, potencializando a ação dessas substâncias. 

Vale lembrar que todos os seres humanos possuem um Sistema Endocanabinóide, par de receptores que reagem aos componentes da cannabis. Chamados de CB1 e CB2, esses receptores estão presentes no cérebro e espalhados pelo corpo, o que ajuda a explicar o poder medicinal da maconha no tratamento de diversas doenças

“[…] a administração crônica de uma dose moderada do fitocanabinóide THC alivia a hipersensibilidade mecânica da região abdominal caudal, desconforto doloroso e prejuízo cognitivo associado à presença de cistos endometriais ectópicos. Essas manifestações comportamentais se correlacionam com uma diminuição no tamanho do endométrio ectópico em camundongos expostos ao THC”, diz um trecho do artigo.

O autor continua:

“O THC também induziu um aumento nos marcadores da inervação uterina em animais sham (saudáveis), mas evitou tais alterações em camundongos com endometriose, sugerindo novamente efeitos diferentes do THC em condições inflamatórias crônicas”.

O objetivo dos cientistas é melhorar a qualidade de vida de mulheres que sofrem com a endometriose, diminuindo suas dores através de uma solução natural (a cannabis) e reduzindo a necessidade de uso de hormônios sintéticos (que podem trazer efeitos colaterais para as mulheres).

“Com base em nossos resultados, nós planejamos o início de ensaios clínicos para fornecer evidências sobre a capacidade de tradução desses resultados para mulheres com endometriose”, conclui o artigo.

Que mais estudos sejam realizados e a cannabis medicinal possa servir de base para ajudar milhões de mulheres ao redor do mundo a enfrentarem a endometriose com menos dores e consequências.

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Barbara Arranz Bárbara Arranz​ é biomédica e atualmente vive em Madri, capital da Espanha. Mulher, mãe e ativista, é fundadora da LinhaCanabica.com, iniciativa com foco em pesquisa e desenvolvimento de produtos veganos com infusão de cannabis. Bárbara começou a pesquisa a cannabis há 11 anos, quando seu filho Raul nasceu e foi diagnosticado com autismo. Um de seus maiores objetivos é desmistificar a maconha e levar à cannabis até a casa das pessoas.

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