Barbara Arranz Bárbara Arranz​ é biomédica e atualmente vive em Madri, capital da Espanha. Mulher, mãe e ativista, é fundadora da LinhaCanabica.com, uma linha de cosméticos totalmente orgânica e vegana sem aditivos químicos produzidos a partir do óleo de cannabis. Bárbara começou a pesquisa a cannabis há 11 anos, quando seu filho Raul nasceu e foi diagnosticado com a Síndrome de Asperger, um tipo de Autismo leve que gera irritações moderadas. Um de seus maiores objetivos é desmistificar a maconha e levar à cannabis até a casa das pessoas.

Cannabis e Depressão: Como a maconha pode ajudar no tratamento?

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O Brasil é o segundo país do continente americano com mais pessoas com Depressão, atrás apenas dos Estados Unidos. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde),  5,8% da população brasileira sofre com a doença, que é considerada o mal do século.

Em outro estudo, desta vez realizado pela USP (Universidade de São Paulo), o Brasil aparece no topo de uma lista de 11 nações quando o assunto é população que mais sofreu de depressão durante a quarentena do Covid-19. Nosso país também lidera os casos de ansiedade.

Em entrevista à CNN, Ricardo Uvinha, professor de lazer e turismo da USP, explicou:

“Nós concluímos que a pandemia de Covid-19 tem se mostrado um evento traumático para muitas pessoas, levando aumento exponencial de sentimento de medo e estresse. A pesquisa reforça que os brasileiros têm sofrido drasticamente o período de quarentena e lockdown, em especial pela privação de atividades de lazer fora do ambiente doméstico”, disse.

De acordo com a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), órgão ligado à OMS, calcula-se que mais de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo sofram com a depressão, fazendo dessa a doença mais incapacitante do planeta.

Mas, o que é a depressão e como a cannabis pode ajudar pacientes que sofrem dessa doença? Descubra a seguir!

O que é depressão e como é diagnosticada?

Depressão é o nome dado a um conjunto de sintomas emocionais que levam a pessoa a desenvolver sensações frequentes de tristeza, solidão e angústia. Está frequentemente associada à ansiedade e, quando não tratada, pode ser incapacitante. 

A depressão pode se desenvolver lentamente, fazendo com que a pessoa se afaste aos poucos de pessoas próximas. Também pode levar a pessoa a perder a vontade de trabalhar, mesmo que ela amasse aquilo que fazia. 

📌 O quadro de depressão pode ser causado por algum acontecimento grave, traumático e exaustivo ao qual a pessoa foi submetida. A doença também pode ser ocasionada por exposição constante ao estresse e a pressão, levando a pessoa ao esgotamento mental. Situações que causam ansiedade ininterrupta, como desemprego e consecutivos insucessos na realização de algo também podem levar a pessoa a uma depressão.

Médicos dizem que doenças graves como câncer e HIV também podem levar o paciente a depressão. Além disso, o uso constante de certos medicamentos como Prolopa e Xanax pode causar depressão porque esses remédios levam à diminuição da produção da serotonina, hormônio responsável pelas sensações de felicidade e bem-estar.

O diagnóstico da depressão é feito por um psiquiatra que vai analisar sintomas como tristeza constante, desmotivação para fazer coisas que antes eram motivo de alegria, falta de energia para as atividades do dia a dia, desinteresse total para socializar, fadiga, baixa autoestima, insônia e alterações no apetite.

Os tratamentos incluem terapia, medicamentos para ajudar a tratar insônia e outros fármacos que visam normalizar alterações cerebrais associadas à depressão.

É aí que a maconha, uma planta milenar e natural, entra nessa história. Como o óleo de cannabis pode ajudar pacientes com depressão a tratar os sintomas da doença e melhorar o quadro geral? Entenda!

🍁 Leia também: Usuários de cannabis podem fazer doação de sangue?

Cannabis no tratamento da depressão: como a maconha pode ajudar?

A cannabis é usada para fins recreativos e medicinais há séculos! Em 1621, o clérigo inglês Robert Burton já recomendava o uso da maconha tratar depressão em seu livro The Anatomy of Melancholy. No mesmo período, médicos na Índia já usavam regularmente a cannabis para tratar a depressão de seus pacientes.

Entre o final dos anos 80 e início dos anos 90 a ciência deu um passo muito importante quando pesquisadores descobriram que nosso cérebro possui um par de receptores que reagem positivamente aos canabinóides, principais componentes da maconha.

Por que temos receptores canabinóides e quais são eles?
Por que temos receptores canabinóides e quais são eles?

Nomeados como CB1 e CB2, esses receptores estão localizados no cérebro e em outras partes do corpo. A esse par foi dado o nome de Sistema Endocanabinóide

Cientistas ao redor do mundo estudam como a ingestão do óleo de cannabis pode ativar os receptores cerebrais e ajudar a tratar uma série de questões, o que inclui sintomas clássicos da depressão como insônia e perda de apetite. 

Os canabinóides THC (tetra-hidrocanabinol) e CBD (canabidiol) são os mais abundantes na maconha e são conhecidos por exercerem efeitos sedativos, antidepressivos e antipsicóticos. Pesquisadores da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), descobriram que o THC em baixas doses pode servir como um antidepressivo e produzir serotonina.

Mas é importante mencionar que os pesquisadores também descobriram que altas doses do canabinóide THC podem piorar os sintomas da depressão. Por isso, o uso da planta por meio de fumo para tratar a depressão não é indicado, pois não há controle sobre a quantidade de canabinóides – inclusive THC – que está sendo consumida. Nesses casos, há o risco de os canabinóides psicoativos da planta piorarem o quadro de depressão do paciente.

O que fazer? É importante usar apenas o óleo de cannabis, tomando a dosagem ideal para seu caso. Lembrando que o óleo de cannabis é extraído de modo a dosar os canabinóides e não produzir efeitos psicoativos. 

Em outro estudo, desta vez conduzido pelo The University Medical Center Utrecht, na Holanda, pesquisadores descobriram que o THC pode alterar a resposta a imagens ou emoções negativas ativando o sistema endocanabinóide no cérebro. Para isso, voluntários com depressão participaram do estudo, sendo que uma parte deles recebeu óleo de cannabis com THC cuidadosamente dosado e outra parte recebeu placebo. Os pesquisadores relatam:

“Os resultados indicam que a administração de THC reduz o viés negativo no processamento emocional. Isso adiciona evidências que apoiam a hipótese de que o sistema endocanabinóide está envolvido na modulação do processamento emocional. Nossas descobertas também sugerem um possível papel do sistema endocanabinóide no processamento emocional anormal e, portanto, podem ser relevantes para transtornos psiquiátricos, como depressão”, diz o artigo.

Como os estudos mais aprofundados sobre os efeitos da cannabis no tratamento de doenças são recentes, os pesquisadores se mostram animados mas cautelosos. São necessários muitos outros estudos para entender com detalhes quão complexa é a maconha e seus efeitos no tratamento da depressão e de uma série de outras doenças.

No entanto, os resultados preliminares positivos são animadores e representam a esperança de uma alternativa natural de tratamento dessa doença que afeta centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Para obter mais informações sobre o óleo de cannabis e como ele pode ser usado, além de obter ajuda para encontrar um médico com quem falar sobre o assunto, entre em contato com a Linha Canábica da Bá. Há uma equipe preparada para esclarecer suas dúvidas!

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Barbara Arranz Bárbara Arranz​ é biomédica e atualmente vive em Madri, capital da Espanha. Mulher, mãe e ativista, é fundadora da LinhaCanabica.com, uma linha de cosméticos totalmente orgânica e vegana sem aditivos químicos produzidos a partir do óleo de cannabis. Bárbara começou a pesquisa a cannabis há 11 anos, quando seu filho Raul nasceu e foi diagnosticado com a Síndrome de Asperger, um tipo de Autismo leve que gera irritações moderadas. Um de seus maiores objetivos é desmistificar a maconha e levar à cannabis até a casa das pessoas.

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