Barbara Arranz Bárbara Arranz​ é biomédica e atualmente vive em Madri, capital da Espanha. Mulher, mãe e ativista, é fundadora da LinhaCanabica.com, iniciativa com foco em pesquisa e desenvolvimento de produtos veganos com infusão de cannabis. Bárbara começou a pesquisa a cannabis há 11 anos, quando seu filho Raul nasceu e foi diagnosticado com autismo. Um de seus maiores objetivos é desmistificar a maconha e levar à cannabis até a casa das pessoas.

Cannabis no tratamento do Transtorno do Estresse Pós-Traumático

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Entenda como os componentes da cannabis podem ajudar a tratar sintomas como depressão, ansiedade e insônia em pacientes que enfrentam o Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma condição que acomete pessoas que passaram por um evento traumático que causou ferimentos graves ou risco à vida e que pode ou não ter deixado sequelas físicas.

Também é observado que o Transtorno de Estresse Pós-Traumático se manifesta em pacientes que foram testemunhas de um evento impactante ou que passaram por um grande trauma mas não lembram de nada ou quase nada do evento em si, apenas de suas consequências – quadro denominado amnésia dissociativa.

Demorar para voltar à vida normal após um evento traumático é normal e já esperado. Mas muitas pessoas que vivenciam situações desse tipo percebem que não estão conseguindo seguir com suas vidas e que o trauma vivido ainda ocasiona picos de estresse e angústia que podem se refletir em sintomas físicos chegando ao ponto de serem debilitantes. 

É muito comum que pacientes diagnosticados com Transtorno de Estresse Pós-Traumático relatem que sofrem de uma angústia constante, além de sensações de medo e desamparo. O quadro pode evoluir para uma depressão, causar insônia, perda da vontade de socializar  e de achar graça das coisas. Também é comum que pacientes relatem que desenvolvem TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) de tanto tentar encontrar alívio para essas sensações.

Estima-se que 4% dos adultos no mundo estejam enfrentando um quadro de Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Como a cannabis pode ajudar essas pessoas? Descubra a seguir!

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Transtorno de Estresse Pós-Traumático: sintomas e diagnóstico

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático pode desencadear diferentes sintomas, dependendo da pessoa e da situação vivida. Há pacientes que lidam com o quadro apenas quando são expostas a lembranças do ocorrido e há aqueles que não conseguem fazer mais nada pois estão mergulhados no trauma.

Os sintomas mais observados em pacientes com Transtorno de Estresse Pós-Traumático são:

Pessimismo, ansiedade e depressão: o Transtorno de Estresse Pós-Traumático pode fazer com que a pessoa se sinta constantemente triste e sinta dificuldade para se conectar com outras pessoas, levando-o a se isolar. É comum que esse quadro desencadeie a depressão.

Gatilhos: é notado que muitos pacientes com Transtorno de Estresse Pós-Traumático apresentam os sintomas quando são expostos a algo que lembre o trauma, mesmo que seja apenas um pesadelo. Os sentimentos ruins relacionados ao trauma invadem a mente da pessoa a ponto de ela ser tomada pelo transtorno. Os gatilhos são muito comuns logo após o evento traumático e podem ser desencadeados pelo resto da vida quando não há um tratamento psicológico.

Sintomas de esquiva: nesse sintoma do Transtorno de Estresse Pós-Traumático, a pessoa tenta se blindar emocionalmente evitando tudo que possa lembrar o trauma vivido. Quando não tratado, o quadro pode piorar e o paciente corre o risco de desenvolver TOC e outras compulsões, por exemplo.

Insônia e dificuldade de se concentrar: é muito comum que pessoas que sofreram um grande trauma relatem que estão “aéreas”, com dificuldade de se concentrar e realizar as tarefas do dia a dia. O sono também é prejudicado, piorando ainda mais o humor e a sensação de dispersão. 

📌 O diagnóstico pode ser feito por um psiquiatra, que vai analisar o trauma vivido pelo paciente, se esse evento foi vivido direta ou indiretamente, há quanto tempo aconteceu e quais sintomas a situação desencadeou na pessoa.

Os fármacos usados por pacientes com TEPT visam tratar a insônia, a depressão, a ansiedade e demais sintomas que a pessoa relate. Também é altamente recomendado que ela inicie uma psicoterapia, para que o psicoterapeuta ajude o paciente a lidar com seu trauma e ele possa, enfim, voltar a ter uma vida normal.

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Como a cannabis pode ajudar quem sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático?

A cannabis possui propriedades ansiolíticas. É por isso que a maconha medicinal pode servir como um tratamento complementar eficiente para os pacientes com Transtorno de Estresse Pós-Traumático, ajudando a tratar insônia, ansiedade e depressão, por exemplo.

Os canabinoides (substâncias presentes na maconha) atuam diretamente no sistema nervoso da pessoa, que está repleto de receptores chamados CB1 e CB2. Esses receptores foram descobertos no começo da década de 90 e a eles foi dado o nome de Sistema Endocanabinóide

O estudo Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria, conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da Universidade de São Paulo (USP), buscou reunir informações sobre o que já se sabe sobre os poderes da cannabis medicinal para  tratar ansiedade, depressão e outras condições psiquiátricas. 

Os resultados não poderiam ser melhores:

“O canabidiol demonstrou apresentar potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições. O Δ9-tetraidrocanabinol e seus análogos demonstraram efeitos ansiolíticos, na dependência de cannabis, bem como adjuvantes no tratamento de esquizofrenia, apesar de ainda carecerem de mais estudos”, diz o artigo.

Em outro estudo brasileiro, intitulado Efeito antidepressivo da injeção de canabidiol no córtex pré-frontal medial ventral, pesquisadores da USP injetaram canabidiol no córtex pré-frontal medial ventral de ratos. O objetivo da pesquisa foi analisar o poder do canabidiol como antidepressivo.

Como resultado, os pesquisadores relataram:

“A administração de CBD induz efeitos do tipo antidepressivo, possivelmente por meio da ativação indireta dos receptores CB1 e 5-HT1A”.

Muitos outros estudos estão sendo conduzidos no Brasil e em outros países para comprovar que os canabinóides realmente possuem uma gama de finalidades medicinais e terapêuticas. No entanto, o que já se vem observando é animador!

📌 É importante ressaltar que o poder que a cannabis tem para ajudar pacientes com sintomas como depressão, insônia e ansiedade não elimina a necessidade de acompanhamento psiquiátrico e psicológico.

A cannabis medicinal pode ser uma alternativa natural que ajudará pacientes com Transtorno de Estresse Pós-Traumático a lidarem com os sintomas enquanto tratam as raízes do trauma na psicoterapia e na psiquiatria. 

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Barbara Arranz Bárbara Arranz​ é biomédica e atualmente vive em Madri, capital da Espanha. Mulher, mãe e ativista, é fundadora da LinhaCanabica.com, iniciativa com foco em pesquisa e desenvolvimento de produtos veganos com infusão de cannabis. Bárbara começou a pesquisa a cannabis há 11 anos, quando seu filho Raul nasceu e foi diagnosticado com autismo. Um de seus maiores objetivos é desmistificar a maconha e levar à cannabis até a casa das pessoas.

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